pra ninguém...

O relógio já marca quase dez.

E eu detestaria admitir que engoli a dor.

O sabor amargo passou e hoje consigo enxergar além da neblina densa.

Talvez esteja enganado, ao ver nos detalhes lembranças de mim.

Talvez esteja enlouquecendo beirando meu próprio fim.

Abraçando uma loucura entre a dor e o sabor amargo do medo.

No silencio escuro do quarto,

No um quarto que me sobra de felicidade.

Talvez, amanhã de tarde eu resolva ligar.

Ou desista de brigar.

Talvez amanhã eu me lembre bem o que quer dizer esse olhar.

E peça perdão, pro que perdoado já está.

Sei que a essa hora já não faz sentido escrever.

Ninguém do outro lado poderá ler.

Mas há coisas que Ninguém sabe escrever.

Ninguém pode entender, Ninguém quer compreender.

Ninguém. Tarde ou cedo? Ninguém nunca vai saber.

~


"Eu só queria ter você no coração
Sem ter toda essa tristeza
Em que pese ser amor
Nunca temos a certeza
De que estamos sós, até o fim" 

[Maglore - enquanto sós]

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