Não fosse eu

Não fosse por essa sobriedade que o tempo nos trás
Ou pela infeliz verdade de não ser capaz
Por essa eterna imagem de bom rapaz
Ou pela sagacidade de querer sempre mais...
Seria pelo jeito imperfeito do meu ser
Pela breve relevância ingênua desse parecer.
Seria pela distância ingrata entre teu sonho e o meu!
Como a reza nunca completada feita por um ateu.
Ou pela nossa incerteza dessa irrelevância...
Talvez seja nossa certeza, insignificância.
Talvez minha verdade seja alguma realeza
Pra por muitos ser tão venerada sem qualquer beleza.
Não ser leve nem serena pra ser copiada
Ser feroz e tão pequena pra ser relevada
Mas talvez seja verdade ser tão importante.
Que deva ser anunciada nos alto falantes
Ou ser aprisionada num sorriso belo...
Ser por mim contagiada ao invés dos desafetos...
Ser beleza, ser ternura, ser saudade e mais...
Ser bem mais que a verdade, já me satisfaz.
Mas ser verdade pura, sentimento forte!
É capaz de me trazer de volta até da morte.
E transformar meu sono eterno em sonho muito vivo...
Viver toda a minha vida como um menino.
E vez por outra ser um trem que sai dos próprios trilhos
Ver o sol do amanhã, no sorrir dos seus próprios filhos.
E viver porque tudo o que tenho é o agora!
O que passou já se foi e o que virá pode mudar, se eu desejar, agora.
Mas se não fosse por tudo isso eu não seria eu...
Seria uma prece velada de algum ateu!
Seria talvez tudo isso, ou não seria nada se não fosse eu!
Seria talvez tanta coisa talvez fosse teu...
Seria até poesia se não fosse eu.

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