Judas, Sócrates e o Jogo das Moedas

Era uma vez…
Um homem e suas trinta moedas de dollar
Lavado a jato,
Seu nome era Judas.

Judas amava muito às suas moedas,
Amava-as tanto que não as queria sozinhas, desacompanhadas.
Singulares trinta moedas de dollar lavado a jato.

Veio Judas para uma certa terra verde e com o nome em brasas.
Em sua Capital no meio de lugar nenhum
Judas achou outros homens; eles também tinham moedas…

Nosso Judas descobriu o que aqueles homens faziam para cuidar de suas moedas:
Eles abraçavam, beijavam e riam. Fingiam! Iludiam!
Eles enganavam e se delatavam.

Roubavam uns aos outros com a gana de um bebê
Faminto em busca da farta teta materna.
Aprendeu rápido o nosso Judas…

Abraçar, beijar, iludir e delatar
Eram pra ele atos como o respirar.
Descobriu, porém, que um homem caguetado
Era, então, possuído por um espírito inusitado…

Sócrates era como se chamava.
E interrogado, uma coisa apenas alegava:
– Sei que nada sei! – repetia, taxativo…

E a delação morria,
O jogo das moedas seguia.
Eram sempre os dois trocando de lugar:
Judas e Sócrates num jogo infinito,
Fadado a nunca acabar…
José Nilson Jr.
07/09/16
(Texto Registrado)

0 comentários:

Postar um comentário

Seguidores