Longa tarde

Afastei-me dos pensamentos ruins que me cercavam.
Apoiei as mãos na janela e vi o sol distante.
Por um instante, soube que o dia começaria diferente.
Tanta gente me disse, tantas coisas sobre o que a vida me guardou.
Meus rasgos na carne, o sorriso sujo de raiva.
Ficou tudo pra trás!
Ainda me resta um pouco de confusão...
Mas já tenho encontrado minha paz.
Em muitas tardes vazias, abri mão de memórias e sorrisos gastos.
Fiz as contas e quitei minhas dívidas comigo mesmo.
Me pus do avesso...
Me peguei sendo avesso à coisas das quais eu nem ligo.
Ou ligo demais...
Pedi perdão ao meu reflexo no espelho, peguei teu conselho e atirei pela janela.
Minha bela história foi apagada...
De toda e qualquer memória!
Capacidade lúdica essa do amor.
De fazer felicidade, de ver mais cor num fim de tarde... Ou num nascer de sol, visto do arpoador.
Mais felicidades, eu peço a mim!
Mais cor, mais verdade!
Mais tarde, mais fim.
Sem reticências pras tuas essências...
Excêntricas, egocêntricas...
Teu estranho carmim.
Pra mim não ficou tua maldade.
Tua insanidade ou teu alecrim.
Ficou uns olhos puxados, um perfume arrojado.
Um beijinho assim!
Pequeno, sem jeito... Docinho perfeito.
Todinho pra mim.
Pus fim nas minhas loucuras, cessei de vez todas as torturas.
Curei me das breves tonturas.
Não mais vertigem, não mais fuligem.
Só quero amar...
Quero o mar calmo ou revolto.
Me sentir mais perto mais solto.
E fiquei assim, ao perdoar.
E o perdão... Será pra mim como um refrão de bolero.
"e eu fui sincero como não se pode ser"
Achei o que faltava em mim...
Escondidinho lá no fim...
Falta fazer por merecer...
Perdão praticado, sorriso curado, enfim agraciado com o dom de esquecer.
Vida que segue, barco flutua, meu rumo na tua nau...
E eu sem saber se sobrevivo até o próximo natal.

-Frog

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