Sobre o tempo e a vida

Nossas vidas giram em torno de aspirações, de sonhos, de metas e assim por diante. No começo temos metas mais simples, como mamar e dormir, aprender a andar… mas à medida que crescemos, nós entramos num mundo mais complexo e nossas metas acompanham a complexidade do meio onde somos forçosamente inseridos.
Nasce com isto um certo problema: o das escolhas que precisamos fazer e as perdas que cada uma acarreta. Cada escolha é uma perda, cada perda gera um medo, o medo gera hesitação. Hesitar gera paralisia.
Por isso, quando alguns de nós querem flores, ficam esperando, adormecidos feito a Bela, que algum príncipe encantado lhes traga um ramalheta da mais bela centáurea já coletada. Alguns passam toda uma vida neste torpor, na espera de um ramalhete que nunca virá. Não há princesas mágicas, príncipes encantados, fadas-madrinhas; mesmo a fé em algum deus ou deusa necessita do meio humano para se concretizar. Quanto mais cedo percebermos que precisamos tomar as rédeas das nossas vidas, melhor será.
Shakespeare disse certa vez: “O tempo não é algo que possa voltar para trás, portanto plante seu jardim e decore sua alma, em vez de esperar que alguém lhe traga flores”.
Há dois comandos nesta frase sobre os quais vale a pena refletir: plante seu jardim e decore sua alma.
Um jardim é um coletivo de várias árvores de espécies distintas e para diferentes fins. Criar um jardim não é algo que se possa fazer em um curto espaço de tempo. É preciso escolher as plantas que o vão compor, escolher o lugar onde as plantar, sem esquecer de tratar a terra, e mantê-las regadas, podadas e nutridas para que possamos obter dela o melhor fruto ou as mais belas flores.
O jardim talvez seja uma ótima metáfora para os grandes projetos em que nos envolvemos ao longo de nossas vidas, mas de forma alguma devemos viver devotados apenas à ideia do jardim, como se ele fosse a razão de nossas vidas, o milagre que enfim trará a felicidade tão desejada. Devemos contemplar cada ramo e cada flor, cada momento pequeno de nossas vidas, sejam eles flores ou espinhos. Precisamos enfeitar nossas almas no presente para que quando o futuro chegar, possamos olhar para trás e ver que o tempo gasto não foi perdido.
O jardim se faz de cada ramo e flor que nos regozijamos em ver nascer.

Por José Nilson Souto Jr.
Texto Registrado
14/01/2016

0 comentários:

Postar um comentário

Seguidores