Horizonte dourado

Fico aqui, de pé no alto desta bela colina verde e viva, mas toda a beleza dela fica pequena quando meus olhos encontram o tom alaranjado, meio róseo, do pôr do sol. É magnífico, é estupendo, é mágico, é um pequeno milagre que antes eu não via, pois eu não queria ver; não podia… Não sem pensar na escuridão e levar a mão ao cabo da espada. Só assim me sentia seguro.
Parece que as coisas mudaram ou, ao menos, se dirigem à mudança.
De pé: olhos no horizonte; raios mornos de sol, os últimos do dia, tocam meu rosto, aquecendo-o e injetando um brilho febril em meu olhar castanho. Levo a mão à espada, mas dessa vez não com medo, empurro a bainha, desloco o pé direito para frente – ele é o apoio do meu corpo –,então a saco.
Não há nenhum oponente aqui, mas a espada brilha com as carícias do sol, emite sua luz metálica. Eu a ponho diante de meus olhos e examino a lâmina fina, comprida e curva em seu cume. O que vejo são arranhões, traumas, fissuras; marcas de uma espada que, comigo, travou batalhas em outros tempos e que será, mais uma vez primordial, para o futuro.
O sol se põe e eu caminho colina a baixo. Piso na terra fofa, deixo nela as marcas das sandálias seguindo noite a dentro.
Começa a esfriar: o vento noturno é fresco e faz balançar minhas vestes e cabelos.
Sinto as velhas cicatrizes doerem, lembro-me de minha última luta, à beira do mar, onde não houve um vitorioso, pois todos os três perdemos. Meu oponente nunca conseguiu o que almejava, eu não tive a quem amava… Ela… abriu mão de me amar por amor a mim.
Tenho uma promessa a cumprir: ser feliz. É a última dívida que tenho com a menina dos cabelos vermelhos: aquela que tem um lugar em meu coração, uma parte dos meus sonhos, aquela a quem sempre amarei… de um jeito ou de outro. No entanto, é momento de voltar a vagar rumo ao destino que se reserva para mim. Outros olhos, outro amor, outras dores, e que este seja eterno, que seja meu, que mereça as minhas marcas, que eu a faça feliz!
~
Um amor real não se perde, mas se muta… Nunca te esquecerei!

Por: José Nilson Souto Jr.
05/02/2012
(Texto Registrado)

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