A dança da vida

Era o ultimo ato antes das cortinas fecharem.
Quando as lágrimas desabaram, não era pra desabarem!
Mas quem controla a dor que rasga o peito daquele homem?
Ele não é tão franco quanto parece, nem tão forte quanto pensava.
Sentimentos ruins ele não alimentava, mas o ódio nasceu aos poucos.
A raiva se fez presente e antes que a gente tente. Ele resolveu mudar de lugar.
Seu peito dilacerado, seus olhos incendiados. Sua alma a gritar.
Ele pedia socorro enquanto subia as escadas do teatro.
E no palco da vida ele dançou como devia dançar!
Faltava sempre em suas coreografias alguém pra lhe sustentar... Uma mão aonde ele pudesse se apoiar.
Ele se colocava de pé... Bailava a valsa como aquele que quer algo de novo! Algo de bom.
Ninguém sabia ao certo qual era o tom.
Ele dançava ao silencio, os sorrisos não lhe diziam nada!
E quando então ele pensou ter vencido o medo, o medo lhe derrubou.
O mundo girou mais rápido, o tempo não retornou.
E tudo que passava ao seu lado e ele buscava se apegar, lhe era arrancado num movimento bruto de centrifuga capaz de qualquer coisa tangenciar.
Ele ficou de pé tentou continuar a dançar.
Mas no fim, a vida lhe tirou o que faltava.
Ele não poderia mais sonhar!
E as lágrimas rolaram de seus olhos pouco antes da cortina se fechar!
E quanto tudo lhe parecia acabado, lá no fundo... Havia um bumbo a rufar.
As batidas secas e ritmadas de um coração ferido, porém valente, que se encontrava ali em algum lugar.
Aumentava gradualmente a sua capacidade de raciocinar.
E quando a vida parecia ter acabado ela estava era a recomeçar.
Dessa vez, ele dava o ritmo, e era ela que deveria dançar!
Na platéia, os sorrisos atentos daqueles que pela sua vida escaparam pela tangente.
Tanta gente! Tantos sorrisos e abraços pra se lembrar!
Mulheres que lhe ensinaram a amar, amigos que lhe ajudaram a se levantar!
A família que muitas vezes fez questão do o derrubar... e vez por outra era responsável pelo seu caminhar.
Mas ele encontrou alguém na platéia, alguém que lhe fez aos poucos melhorar.
E notou seu sorriso largo, e os olhos dispersos.
Um menino que não soltava pipa, e futebol, nunca aprendeu a jogar!
Mas que era bom em fazer as perguntas certas, e melhor ainda em acreditar.
Quando todo mundo fazia questão de duvidar...
Ele se reencontrou ali, parado a ver a vida dançar o ritmo que ele a fizera dançar.
Tudo agora parecia mais fácil, e era só um sonho...
Que fez esse menino pensar em tudo que ainda estava por vir!
Na dança maluca da vida... E na dança que ele a fez dançar.
No reflexo do seu destino.
E no lugar onde ele realmente gostaria de estar, quando pela ultima vez, a cortina se fechar.


~

"Tienen miedo del amor y no saber amar
Tienen miedo de la sombra y miedo de la luz

Tenho medo de gente e de solidão
Tenho medo da vida e medo de morrer"
Miedo - Lenine







Luiz carlos, Frog.


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