o poeta se calou.

Nada parece poesia sem teus olhos
Nenhuma luz do dia.
Nem voz cantando ao vento, nenhum sentimento
Além do frio que entra pela janela.
E aos poucos congela o que ainda resta de mim.
Antes eu era um poeta.
Que escrevia pra uma dama que se encontrava escondida na incerteza do infinito.
Um amor bonito até poderia ser interessante.
Mas no meu caso é apenas mais um lindo texto, num pedaço de papel na estante.
Eu não coleciono amores.
Não guardo as dores.
Mas ainda não experimentei todos os sabores.
Não aprendi a amar.
Sou poeta por que sei cantar.
E canto ao mundo a vontade de amar.
Questionar... A saudade que aperta o peito
E faz de um jeito que parece que dói.
Mas na verdade constrói aos poucos um novo pedaço de mim.
Um pedaço esquecido em algum lugar onde nem eu mesmo sou capaz de encontrar.
Poeta da dor, que canta o silêncio das palavras não ditas.
E das histórias de amor que jamais serão contadas.
Dentre elas a minha em uma destas cartas pra lá de empoeiradas.
Com um endereço de quem deveria receber o amor.
Seu nome no envelope ao lado da frase, ”por favor”.
Não faz sentido aos olhos, mas ao coração será um alivio
Uma brisa quente que lhe alegre um pouco.
Em meio ao frio da ausência de todo e qualquer corpo.
Que lhe pudesse dar carinho.
E amor.
A janela se fecha, o vento para.
E o poeta se calou.

~
Luiz Carlos, Frog.

  2 comentários:

  1. Sabe que eu, além de amigo e colaborador deste trabalho, sou um admirador de seus textos. Este em especial, pareceu uma transmissão de pensamentos, ou melhor, de sentimentos
    Que Deus lhe abençoe e multiplique cada vez mais o dom da escrita em ti.
    Abraços!

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