um anjo na plataforma

Ele desceu as escadas como de costume e se encostou ao lado contrário do encosto dos bancos.
Mirou ao longe o comprimento da plataforma, e o relógio mostrava que seu trem ainda demoraria a chegar.
Uma brisa leve Corria aquele começo de tarde.
A nevoa da manhã recente ainda se dissipava nos trilhos quando alguns estalos e tremores avisavam aos ouvidos atentos que o trem que partiria em sentido contrário ao seu estava pra chegar à plataforma.
O tremor aumentava conforme a proximidade do trem.
E quando o mesmo já aparecia na curva ao longe, ele levantou seus olhos e entre os cabelos que caiam em seu rosto viu o trem se aproximar aos poucos.
E o barulho do trem ritmava seu coração de uma maneira singular. Uma paz inquebrável se estabeleceu pelos segundos que se seguiram.
E por uns instantes ele podia jurar que estava vendo a fumaça saindo pela chaminé de uma Velha Maria Fumaça.
A plataforma tremulante e o silêncio pleno fora quebrado pelo assoviar das portas do trem que se abriam.
Olhos azuis dançavam dentro do vagão, trazendo consigo um sorriso encantados... Daqueles pelos quais homens dariam suas vidas se necessário só para vê-lo uma vez.
Um requebrado levemente encantado de menina mulher, cabelos longos e negros que cobriam o busto desenhado com perfeição por debaixo das roupas que lhe davam mais volume e beleza.
Os lábios avermelhados e perfeitamente desenhados... Com uma delicadeza extremamente inebriante e o sorriso, ah! O sorriso.
Inexplicável. Inimaginável.
O anjo saiu do vagão, seu jogar de cabelos fez o jovem rapaz enlouquecer,apaixonar-se e embriagar-se com o perfume.
Ela caminha na direção oposta, mas faz questão de olhar pra trás e dar um sorriso longo e satisfeito ao rapaz, que suspira e pensa o quanto de amor seria necessário para que aquele sorriso valesse a pena...
E quantas eternidades ele demoraria até enjoar daqueles lábios, e Se ele sequer enjoaria!
O anjo seguiu seu caminho com os cabelos ao vento levando o perfume que o jovem ainda traz na memória, ela some entre as portas do segundo trem que para, o destino brinca com o jovem rapaz, e faz com que ela suma dentro do vagão que lhe levará de volta pra casa...
Sumir? Jamais! O perfume, o sorriso, a beleza desenhada, única e perfeita... Está guardada no peito daquele jovem rapaz. Enquanto a estação vai ficando pra traz.

Por: Luiz Carlos, Frog
Textos registrados

  Um comentário:

  1. Lindo texto!
    Leve, simples, puro...enfim, perfeito.
    O que não é nenhuma surpresa aqui no blog, mas tava sentido falta desse tipo de texto.
    Amei ^^

    ResponderExcluir

Seguidores