Pintura vazia

Não me sobraram rotas de fuga
Nem motivos pra fugir.
Não me sobraram lágrimas nem motivos pra partir.
Ir pra longe e te deixar aqui,
Não me sobraram motivos pra querer te ver sorrir.
Nem silencio ou distância que não fizesse querer ficar aqui.
Não me sobraram esperanças, lugares pra ir.
Pois fui a todos os que tu estavas, mas não te encontrei ali.
Desisti da procura.
Busquei uma nova figura
Mudei meus planos, não mais te busquei.
E você despencou das estrelas ao meu lado.
Num sorriso cego e sagrado.
Sem a beleza da pintura, ou a fantasia que envolvia aquela criatura
Que antes eu observava a distância.
Sua essência se foi.
E você se foi logo depois.
Perdi-me num apelo de te ver outra vez.
Exatamente como da primeira.
Mas nada se repete.
E você não será como foi outra vez, quebrastes as lentes que tampavam meus olhos e escondiam-me teu verdadeiro rosto.
Não sinto em meus lábios o teu gosto.
Nem vontade de voltar, só há frieza e desgosto.
Não desenho mais seus olhos, não vislumbro mais teu rosto.
O que eu fiz, foi seguir o que me foi proposto.
Esquecendo aos poucos que um dia contemplei aquela pintura.
E que na imagem, era você... A tal beleza pura.
Que antes ali estava, no vazio que agora cobre.
O espaço no peito onde eu te guardava.

~
Luiz carlos, Frog
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