A plataforma


Ele desceu as escadas de dois em dois degraus...


Mais mesmo assim, o trem já havia partido quando seus pés tocaram a plataforma.

A plataforma coberta por uma fina névoa fria.

Ele era o único sentado naqueles bancos,

Encarando o horizonte com um tom de gente grande, observando os trilhos que sumiam logo após a primeira curva.

Num estalar de dedos sua mente viajava pra longe da plataforma...

Mas de certa forma não era ele que de lá saia, mas sim outros que ali se apresentavam.

Outros iguais a ele, diversas versões de um mesmo “Eu”.

E um “eu” quase lírico ali se via como um conselheiro.

E então ali ele se via preso num presente entre o passado e o futuro.

Onde seu futuro era o que ele via nos trilhos que desapareciam após a curva...

E o passado era aquele homem que ali estava sentado ao seu lado como se suas lembranças pudessem dizer tudo o que sentiam.

Pensavam, ouviam...

Ele se perguntava sobre coisas que talvez nem mesmo Deus soubesse a resposta era mais do que uma conversa, era quase uma proposta, ligeiramente subversiva dentro dos seus próprios conceitos.

Quantos defeitos... Mas também pudera, ele passa por mais consertos que muitos que já viveram nesta terra.

Uma maldita quimera era assim que se sentia por ter que encarar sua própria imagem, silenciado... Parcialmente inesperado.

Era o barulho do trem, que encostava na plataforma...

Ele já havia consertado o passado, ao menos tinha tentado.

Quanto ao futuro? Encontra-se agora rumando em sua direção!

E de dentro do trem ele dá Adeus aquela velha e solitária estação...


Por: Luiz Carlos Dos S gonçalves.
(todos os textos são registrados)

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